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Alcolumbre sinaliza proteção ao mandato de Flávio Bolsonaro e busca apoio da direita no Senado

Presidente do Senado teria indicado a aliados bolsonaristas que não pretende avançar com pedidos de cassação contra Flávio. Movimentação ocorre em meio à disputa pela presidência da Casa em 2027.

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sinalizou a aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que pretende preservar o mandato do parlamentar até janeiro de 2027, apesar dos pedidos de cassação apresentados após sua saída do Brasil rumo aos Estados Unidos.

A informação foi divulgada nesta quarta-feira (4 de novembro) pela coluna do jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles. Segundo interlocutores bolsonaristas, Alcolumbre teria indicado, em conversas reservadas, que não pretende dar andamento às iniciativas para retirar o mandato de Flávio.

A movimentação ocorre após a derrota de Flávio Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 2026. O senador deixou o país no final de outubro e passou a permanecer em Miami, nos Estados Unidos.

Alcolumbre autorizou votação remota de Flávio Bolsonaro

Um dos principais sinais de aproximação ocorreu na terça-feira (3), quando Alcolumbre permitiu que Flávio Bolsonaro participasse remotamente de uma votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.

De acordo com a reportagem do Metrópoles, lideranças do Partido Liberal procuraram o presidente do Senado para solicitar a liberação do acesso do parlamentar ao sistema de votação.

Flávio enfrentava dificuldades para autenticar seu novo número de celular, procedimento necessário para acessar o aplicativo utilizado pelos senadores.

Após o pedido, Alcolumbre teria autorizado uma exceção e acionado a equipe técnica da Casa para permitir a participação do senador, mesmo estando fora do território brasileiro.

PT questiona participação do senador nas votações

A participação remota de Flávio provocou questionamentos entre parlamentares governistas.

Na quarta-feira (4), o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) apresentou duas questões de ordem solicitando esclarecimentos sobre a situação de Flávio Bolsonaro.

O parlamentar pediu que a presidência do Senado verificasse se a viagem aos Estados Unidos havia sido comunicada oficialmente à Casa, conforme determina o Regimento Interno.

Randolfe também solicitou a anulação do voto registrado por Flávio durante a votação da PEC da Segurança Pública.

Em resposta, Alcolumbre explicou que a sessão havia sido convocada na modalidade semipresencial, permitindo a participação dos parlamentares a distância.

O presidente do Senado afirmou que as questões apresentadas serão analisadas pela equipe técnica e pela Mesa Diretora, considerando as normas regimentais.

Até o momento, não houve anúncio oficial de arquivamento dos pedidos de cassação nem decisão definitiva sobre a validade do voto questionado.

Aproximação pode fazer parte de estratégia para reeleição

A possível proteção ao mandato de Flávio Bolsonaro é interpretada nos bastidores políticos como uma tentativa de Alcolumbre de conquistar apoio da direita para permanecer na presidência do Senado.

A eleição para o comando da Casa está marcada para 1º de fevereiro de 2027, quando terá início a nova legislatura.

Alcolumbre busca ampliar sua base de apoio entre os parlamentares, especialmente integrantes do PL e de partidos alinhados à oposição.

Apesar das sinalizações, a estratégia enfrenta resistência entre senadores bolsonaristas, que demonstram desconfiança em relação ao atual presidente da Casa.

PL apresenta Rogério Marinho como candidato

Mesmo com as movimentações de Alcolumbre, o Partido Liberal anunciou o senador Rogério Marinho (PL-RN) como candidato à presidência do Senado.

A decisão reforça a intenção da legenda de conquistar o comando da Casa a partir de 2027, quando contará com uma bancada ampliada.

Além de Marinho, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) também aparece entre os nomes que disputam espaço na articulação da oposição.

A disputa promete intensificar as negociações entre partidos de centro, direita e representantes da base governista.

Enquanto isso, a situação de Flávio Bolsonaro permanece sob análise no Senado, especialmente em relação às regras para participação em votações a distância e à obrigatoriedade de comunicar viagens internacionais.

Fontes: Metrópoles, Agência Senado, Folha de S.Paulo, UOL e Portal SGC.