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Homem acusado de atacar ex-namorada com mais de 10 facadas será julgado por tentativa de feminicídio em Campo Grande

Crime aconteceu em abril de 2025, no Bairro Tiradentes, após a vítima decidir encerrar o relacionamento. Acusado chegou a ser preso, mas recebeu liberdade provisória mediante medidas cautelares.

Wellington Paes Lino, de 25 anos, será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri em Campo Grande, acusado de tentativa de feminicídio contra a ex-namorada, de 40 anos. O crime ocorreu em 6 de abril de 2025, no Bairro Tiradentes, após a mulher manifestar o desejo de terminar o relacionamento.

Segundo a acusação, o homem teria atacado a vítima com mais de dez golpes de faca. A mulher foi socorrida por familiares e encaminhada à Santa Casa de Campo Grande, onde precisou de atendimento hospitalar e permaneceu internada devido à gravidade dos ferimentos.

O julgamento está previsto para novembro de 2026 e deverá analisar as circunstâncias do ataque, ocorrido em um contexto de violência doméstica.

Relacionamento era marcado por ameaças e episódios de violência

De acordo com informações divulgadas pelo Campo Grande News, a vítima relatou que mantinha um relacionamento de aproximadamente três anos com o acusado, marcado por separações, reconciliações, ciúmes excessivos e comportamentos agressivos.

Antes do crime, a mulher já havia solicitado uma medida protetiva contra Wellington, em razão de episódios anteriores de violência.

Em uma das situações relatadas, o acusado teria destruído objetos da residência, danificado documentos pertencentes às filhas da vítima e incendiado roupas da mulher.

Em outra ocasião, ele teria arremessado um tijolo que atingiu uma das filhas da ex-companheira, provocando um ferimento no braço.

Os episódios, segundo o relato da vítima, contribuíram para o desgaste do relacionamento e para sua decisão de se separar definitivamente.

Ataque aconteceu após discussão sobre o fim do relacionamento

Conforme o depoimento da mulher, o casal havia participado de uma festa antes do crime. Durante o evento, Wellington teria consumido bebidas alcoólicas e apresentado comportamento motivado por ciúmes.

Posteriormente, os dois discutiram, e a vítima comunicou que não desejava continuar o relacionamento, pedindo que o então companheiro deixasse a residência.

Segundo a versão apresentada pela mulher, o acusado saiu do quarto e retornou portando uma faca e um isqueiro. Em seguida, iniciou o ataque.

A vítima sofreu diversos ferimentos e precisou ser socorrida por familiares.

Após sobreviver à agressão, ela relatou à imprensa que temia pela própria segurança e pela integridade dos filhos, especialmente diante da possibilidade de o ex-companheiro voltar a procurá-la.

Acusado foi localizado três dias após o crime

Depois do ataque, Wellington deixou o local e permaneceu foragido por aproximadamente três dias.

No dia 8 de abril de 2025, a Polícia Civil divulgou um cartaz com a fotografia do suspeito, solicitando informações que pudessem contribuir para sua localização.

A prisão ocorreu no dia seguinte, durante uma ação realizada por policiais do Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras), com apoio do Setor de Investigações Gerais (SIG) de Dourados.

O acusado foi encontrado na residência de sua mãe, no Bairro Moreninhas, em Campo Grande.

Segundo o delegado Roberto Guimarães, os investigadores realizaram levantamentos prévios que indicaram a presença do suspeito no imóvel.

Durante a abordagem, Wellington teria reconhecido que havia discutido com a companheira, mas não apresentou detalhes sobre o episódio.

Após a prisão, ele foi encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), responsável pelos procedimentos relacionados ao caso.

Justiça concedeu liberdade provisória com tornozeleira eletrônica

Apesar da gravidade das acusações, Wellington recebeu liberdade provisória após audiência de custódia realizada em 11 de abril de 2025.

A decisão judicial estabeleceu o uso de tornozeleira eletrônica e o cumprimento de outras medidas cautelares.

A soltura provocou preocupação na vítima, que ainda se recuperava das agressões e temia novos episódios de violência.

Em entrevistas concedidas na época, a mulher afirmou não se sentir segura com o ex-companheiro em liberdade, principalmente porque ele conhecia seus locais de trabalho e convivência familiar.

Ministério Público contestou decisão judicial

Diante da concessão de liberdade provisória, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) apresentou uma medida cautelar ao Tribunal de Justiça, solicitando a suspensão dos efeitos da decisão.

O órgão argumentou que a liberdade do investigado poderia representar risco à segurança da vítima e de seus familiares.

A manifestação considerou a gravidade dos fatos investigados e os relatos de episódios anteriores de violência doméstica.

As informações disponíveis não esclarecem o resultado definitivo desse pedido apresentado pelo Ministério Público.

Caso será analisado pelo Tribunal do Júri

Com o encaminhamento do processo ao Tribunal do Júri, Wellington deverá responder à acusação de tentativa de feminicídio perante os jurados.

Durante o julgamento, serão analisados os elementos reunidos na investigação, os depoimentos e os argumentos apresentados pela acusação e pela defesa.

O feminicídio é caracterizado pelo assassinato de uma mulher por razões relacionadas à sua condição de mulher, incluindo situações de violência doméstica e familiar. Quando a morte não ocorre, mas há acusação de intenção de matar nessas circunstâncias, o caso pode ser enquadrado como tentativa de feminicídio.

A responsabilidade criminal do acusado será definida pela Justiça, respeitando o direito à ampla defesa e à presunção de inocência.

O caso reforça a importância das medidas de proteção às vítimas de violência doméstica e da atuação das instituições responsáveis pela prevenção e pelo enfrentamento desse tipo de crime.

Fontes: Idest, Campo Grande News, Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), conforme informações reproduzidas na reportagem original.